LÉO MARTINEZ DESCREVE A GRAVAÇÃO DAS GUITARRAS DO NOVO DISCO

Logo após encerrar uma tour que nos fez apresentar o disco ‘Camarones Orquestra Guitarrística’ mais de 70 vezes pelas cinco regiões do país, decidimos partir imediatamente para dentro do estúdio e cair matando em dias intensos de preparação, ensaios, composições e reuniões do trabalho que estava por vir, sem tempo para intervalos ou para reclamar, por vários motivos, entre eles a vontade de preparar as novas composições, a folga que teríamos no mês de janeiro e a chance de não deixar se perder no ar a carga de influências boas que sofremos na estrada, seja na forma de experiência, seja pelas bandas que conhecemos, pelas adversidades que encontramos ou pelas situações que vivemos, que certamente foram momentos que nos inspiraram de alguma forma na criação das trilhas pra eles, que são canções desse trabalho.

Darei nesse texto um enfoque no processo de composição, timbragem e conseqüente gravação das guitarras do álbum. É importante falar das referências e de como elas marcaram sua presença de variadas formas. A começar pelas influências, posso dizer que elas se dividem em nichos diferentes, seja o que ouvimos e temos no sangue, o que assistimos, o que vivenciamos ou o que sentimos. A questão visual tem um apelo fortíssimo, e as vezes a situação que faz referência aquele tema e, às vezes o nome dele vem antes dos primeiros acordes e todo um clima vai sendo criado em cima daquilo. As composições entraram por um caminho que naturalmente nos deu a oportunidade de criar formas diferentes de soar, experimentar mais estilos interessantes de serem explorados, sem perder a essência da música instrumental simples, divertida e, sobretudo, pop, tanto eu quanto Anderson, que predominantemente compusemos o disco, temos uma veia pop muito forte, apesar de sermos rockeiros e, acima de tudo, amantes de música.

No que diz respeito a mim, referências diretas foram Link Wray, Allman Brothers Band, Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, Metallica, Arctic Monkeys, Hellacopters, Wild Cherry, Franz Ferdinand, Iron Maiden, Os mestres da guitarrada de uma forma geral, Specials, The Who, Supergrass, Beatles, Stray Cats, Brian Setzer, Led Zeppelin e Frank Zappa, dentre muitas outras referências. Além de histórias em quadrinhos, filmes e desenhos, como os Smurfs.

Partindo para a parte prática, em dois dias de muito trabalho, matamos a gravação de
9 guitarras até agora. No setup fixamos o amplificador no Orange Thunderverb 200, valvulado de 200w com válvulas 6550 no power, 2 canais e reverb de mola, nos fornecendo toda a potência e gama de timbres para o disco inteiro, do clássico ao metal sem necessidade alguma de um pedal de overdrive ou boost, apenas saturação das válvulas em volumes nada convidativos para quem por ventura adentrasse a sala onde estava localizado o gabinete, um 2×12 Orange com falantes Celestion Vintage 30. A microfonação ficou a cargo das idéias do Chuck Hipolitho, que utilizou dois microfones, um mais próximo de cada falante da caixa.

No que diz respeito às guitarras, foram quatro até agora: Gibson Les Paul Studio 19, Fender Telecaster ’52 1995, Fender Musicmaster II com corpo ano 1969 e braço 1965 e captador original Grey Bottom pré-cbs e Ibanez Artstar Semi-acústica série limitada. Cada uma delas teve seu momento marcante com uma música inteira gravada somente com elas, assim que o track list sair descreverei cada uma das aplicações. O que posso adiantar é que a combinação mais eficiente foi Fender telecaster + Gibson Les Paul. É clássico, não tem erro e é incrível como elas casam e se completam maravilhosamente bem, mesmo de formas diferentes, variando alguns detalhes que com bom equipamento fazem toda a diferença, dando a cada música a sua personalidade própria e marcante, mas sem perder a cara da banda.

Entrando no mundo dos efeitos, posso dizer que enxugamos o trabalho nisso, principalmente pela atuação de Anderson na banda, que ocupou de forma muito agradável e divertida esse espaço antes feito também pelas guitarras. O elemento que certamente vamos levar para viajar conosco será um oitavador, apesar de termos gravado trechos de vozes oitavadas ‘á moda antiga’, pois achamos o resultado mais interessante, mas ao vivo funcionará no pedal. Outro elemento que esteve presente em diversos momentos foi o delay Way Huge Aqua Puss, que, após indicação do nosso amigo e designer do álbum, César Valença, adquiri e fiquei maravilhado com suas possibilidades, é um delay analógico e com no máximo 300ms de repetição, mas que é mais do que suficiente para o que precisei fazer, fazendo uma diferença que poderá ser sentida. O reverb do próprio amplificador foi bem utilizado com intensidades diferentes ao longo do trabalho, ainda investimos em um fuzz, usando um earthquaker devices hoof fuzz e, pra fechar, o único outro pedal que usamos foi o Electro Harmonix Pulsar Stereo Tremolo, que junto, com o reverb e a fender musicmaster no captação do braço, criou o clima e o timbre perfeitos para um surf music até então intitulado de ‘surfando em boa viagem’.

Saindo das timbragens e partindo para a captação, posso dizer que a sala de gravação é
onde tudo começa a tomar forma e várias mudanças excelentes e idéias novas começam a
surgir. Basta começar a gravar as bases e novas idéias e inserções vão surgindo, sejam elas
minhas, de Foca, ou de Chuck Hipólitho, que exerce magistralmente sua função de produtor e amigo da forma mais cordial possível. O aprendizado que ta sendo dedicar mais de 10h ao estúdio todos os dias é imensurável, seja ele na técnica, feeling, pegada e nas relações com a música de uma forma geral.

O resultado ta sendo sensacional, bem acima do que esperei. Pude investir em sonoridades distintas, pois decidi compor e experimentar flertando com estilos e ritmos diferentes, e somando todas as idéias e após montar tudo, posso dizer que estamos muito satisfeitos, espero que vocês também. Ainda temos músicas para gravar, estas em parceria com Chuck Hipólitho e a expectativa é a melhor possível, muito em breve escreverei mais um post sobre essas últimas gravações.

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2 respostas a LÉO MARTINEZ DESCREVE A GRAVAÇÃO DAS GUITARRAS DO NOVO DISCO

  1. Rááááá! É o leozinho, e tá ficando muito bom mesmo!

  2. simon disse:

    quase um artigo científico sobre gravação de guitarras, parabéns.

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