EUROPA TOUR 2015 – DIÁRIO DE BORDO COMPLETO

Van dos Camarones na Europa.

Van dos Camarones na Europa.

TEXTO: Foca
FOTOS: Acervo Camarones
PS: No final do texto tem todos os links de casas, produtores, festivais e casas que passamos.

Pelas ruas de Liverpool!

Pelas ruas de Liverpool!

DIA 01 E 02 – FRIO NA INGLATERRA

Saímos de casa com bastante antecedência para pegar nosso vôo para Europa numa longa saga até chegar na Inglaterra. Acompanhem. Foram perto de sete horas de Natal para Lisboa e depois uma espera de cinco horas até pegar o vôo para Manchester que durou mais duas horas e meia. Diferente de alguns amigos musicais que já vieram para Inglaterra não tivemos nenhum problema para passar pela imigração. Uma galega simpática nos atendeu, mostramos o que ela pediu e nem precisou do visto de trabalho temporário que pegamos cedido pelo pessoal do Liverpool Sound City. A parte aérea estava toda ok!

Fomos para a segunda aventura até o destino final, dessa vez de trem. Carregamos 600 coisas até a estação de Manchester que fica dentro do aeroporto e compramos os tickets até Warrington, nossa hospedagem que fica a mais ou menos 20km do centro de Liverpool. Imagina a cena: mil bagagens, um trem quase metrô e tendo que fazer uma baldeação para chegar no destino final! Conseguimos entrar no primeiro trem, sem perceber que era a primeira classe e pensei alto um “vão mandar a gente sair”. Um homizinho veio checar os tickets, não deu nada e ficamos lá mesmo. Três estações depois, correria para descer tudo e pegar outro trem (bem no centro de Manchester, o aeroporto é mais longe). Deu certo. Perguntamos para os mocinhos da estação qual era o nosso, eu com meu inglês todo trabalhado em música Punk e filme do Rambo entendi que eram três trens até o nosso, Fausto, fluente na matéria entendeu que eram dois. Well! Pegamos o trem errado e novamente, sobe e desce para pegar o certo (com mil bagagens, lembrem-se). Pausa para dizer o seguinte: o inglês dos ingleses não é de cristo. O meu 50% de entender e 30% de falar por aqui tá perto de zero, Fausto, Yves e Ana que falam bem o inglês estão apanhando, principalmente quando o assunto é com a turma mais velha.

Chegamos em Warrington, cidadezinha lindaaaaaaaaa. E a notícia do dia. Saímos da estação e demos de cara com o King’s Head, nossa hospedagem inglesa. 22h depois de sair de casa, finalmente lar-doce-lar. Quando você aluga quartos longe de casa fica sempre aquela angústia né? E aí? Presta? Não presta? Dessa vez demos uma mega sorte. O lugar é muito legal, quarto confortável, um aquecedor lindão, internet ótima e a 50 metros do trem. Perfeito. Embaixo dos quartos, um tremendo pub inglês, desses que a turma se reuni para ver futebol e com mil cervejas diferentes com aquelas torneiras. Os ingleses bebemmmmmmmm a sério e a gente foi meio no vácuo e entrou na onda para desopilar da viagem. Pra comer? Na porta do hotel, duas opções tradicionais da culinária inglesa: Fish and Chips, que é tipo um kilo de peixe frito empanado, com mais um kilo de batata frita e o tal café inglês que vem mil coisas, bacon, feijão, fritada de batata, mais bacon, salcinha alemã, mais bacon com acompanhamento de bacon. O povo é bem gordinho por aqui. Sono dos justos!

Acordamos bem cedo e fomos comer o café inglês ainda com os efeitos do lag da viagem. A missão do dia eram duas: resgatar uma guitarra e pegar nossas credenciais pro Liverpool Sound City. Trem para Liverpool e chegamos na cidade que á muito linda!! Quase um sonho pisar nesse terreno sagrado e lógico, impossível se livrar dos Beatles (se você não gosta deles fuja dessa região). Pra gente que curte, um barato. Fomos na maior loja de instrumentos da cidade, não lembro o nome (Dawatons, Datsons, Dawignton, ehehe). Esquema Guitar Center americana, só equipo pedrada. Na parede guitarras do Ozzy, Artic Monkeys, Garry Moore e contando. Faustinho pegou uma tremenda FireBird da Gibson, esquema playboy por um preço muito honesto (impossível comprar algo assim no Brasil). O atendente era filho de uma brasileira e torcia pelo… Flamengo – é o mundo todo, isso a gente já sabe. Guitarra resgatada e o bonde se separou. Fausto foi deixar o brinquedo em casa e eu, Ana e Yves fomos pro museu de Liverpool. Pausa para falar que essa região é abismante de tão bonita. Albert Dock, na beira do rio, gente do mundo inteiro, muito foda. Bonitinha mais ordinária: beira do rio igual vento frio. E ficamos passeando e congelando ao mesmo tempo, tipo 10 graus com vento na cara (nada engraçado).

Museu lindo, visita completa e era hora de rumar pro Liverpool Sound City todo trabalhado com pulseira de artista. Ficamos tentando um taxi, achei poucos disponíveis por aqui, e um parou, só que não era para gente, um inglês desses altos e estilosos estava mais atrás e tinha chamado um Black Cab pelo celular. Fuen. Só que quando ele foi entrando no taxi, nos chamou e a gente ficou num esquema “what?’. Ai o rapaz falou, sei que vocês vão pro SoundCity, vamos juntos!!! Sorte né? Ok, segura que lá vem história. O cara era simplesmente da equipe de agentes do New Order, morava em Manchester e estava indo pro encontro que o SoundCity promove entre produtores. Fausto morreu, quem conhece ele sabe o quanto ele é fã, eu fiquei meio away por que entendia pouco o papo mas deu para perceber que ele é team Bernard Summer na briga e no racha da banda entre o vocal guitarra e a lenda do baixo Peter Hook. Chegamos no festival, o cara pagou nosso taxi e disse que nos veria no dia seguinte. Uou!

Chegamos no SoundCity, numa das mil docas que tem em Liverpool. Esse é um festival que não se parece nenhum pouco com esse mega-festivais brasileiros. Não tem luxo mas tem tudo! São uns 07 palcos espalhados por uma área que deve caber umas 10, 15.000 pessoas. Todos com som excelente. São três palcos maiores The North (que é o que vamos tocar), Atlantic (dos shows principais) e Baltic (outro de shows principais). São muitas bandas em ação (Festival Dosol fellings), você vê elas por todo lado e pra cima e para baixo, tombamos com o Vaccines dando entrevista, o carinha do FuckedUp tava vendo shows e por ai vai indo. É frescura zero. Cada banda tem o seu horário, seu palco e recebe um adesivo para o backstage, entrou tem uma caixa de cerveja, uma de água e um som foda para você tocar rock, terminou, se vire para guardar suas coisas (não tem chapelaria). Apesar de parecer jogado, é extreme organizado e o atendimento aos artistas (pensa, nós de artista) é muito bom. Vimos shows, nos ambientamos, tomamos cerveja cara e fim de papo. Estávamos 12 horas na rua e o cansaço nos pegou. Foi massa! Hoje é dia de tocar e tem mais uma dezena de shows para ver contamos tudo amanhã.

Tocando no Liverpool Sound City.

Tocando no Liverpool Sound City.

DIA 03 – O SOL INGLÊS DEU OS CARAS E ROCK ROLOU

Hello guys, thanks for coming, we are camarones orquestra guitarrística from Brasil, its not samba, please!! Gargalhada geral no palco e na plateia e o pau comeu ontem no Liverpool Sound City por 30 minutos cravados no nosso show aqui na BeatleCity! Foi tudo o que dissemos em inglês durante o nosso set.

O dia começou meio atabalhoado, nos atrasamos um pouco para sair, a produção do festival marcou nossa chegada para as 11h20 e britânicos não curtem atraso. Tomamos um café dos justos (feijão de novo), pegamos nossos coisas e seguimos pro trem. Demos sorte de pegar um express que vai sem parada até o Liverpool Lime Station (a central station deles). De lá um taxi rápido e chegamos exatamente 11h19 no palco! MA-RA-VI-LHA! Você pensa né? Pô, o último show é as 23h, vamos tocar 13h30, lógico que não vai ter ninguém né? Massssss é preciso ter sorte na vida. O dia ontem amanheceu como poucas vezes amanhece em Liverpool, céu muito azul, nenhuma nuvem e até ate um semi-calor, que para eles deveria ser suficiente para por um biquíni. O resultado prático e que logo cedo o festival já estava lotado e todos os palcos com ótima audiência para o kick off. Um ponto de comentário sobre o festival. Você paga TUDO. Compra o ingresso para ver os shows. Lá dentro, se você não quiser sentar no chão tem que pagar a área VIP, se você não imprimiu o lineup e horários em casa tem que COMPRAR o guia de shows impressos (o folder) e por aí vai. Business mass!

Ficamos por ali, tomamos um cerveja para esquentar (não há geleiras, todo mundo toma cerveja do jeito que ela vem do supermercado – quente) e deu a hora do show. Vimos o Flaming passar o som, o Coey (vocal doidão) por ali esperando e deu nossa hora. Check line rápido, tudo ok, equipo em cima e pow! Rock! Como nosso palco ficou exatamente entre os dois main stages e era outdoor tinha sempre umas 300/500 pessoas a frente paradas vendo e mais 2.000 em volta flutuando. Foi excelente e quando descemos geral veio falar, se interessar ou pedir para digitarmos no celular o nome correto da banda para nos achar! Uma coisa interessante das nossas pautas europeias é que quase nunca tem brasileiros nos shows, perguntei do palco em português se alguém era brasileiro, ninguém se manifestou!!

Missão cumprida, com jeitinho e gentileza conseguimos com a turma do nosso palco guardar nossos equipos até ir embora e fomos ver show! Vimos uns dez a doze no total divididos em “interessantes/muitos bons“ e “bandas away que imitam Coldplay ou Imagine Dragons”. Ficamos entre o palco do Cavern Club (melhor curadoria) e o Atlantic Stage (os shows principais). Muito foda os show do All We Are, Dutch Uncles e do Goastt (Sean Lennon, filho do homi). Ainda ficamos ali no backstage no pré-show tomando um água com gás com a turma do Flaming Lips, Goastt e FuckedUp (esse últimos com Whisky, que até nos ofereceram mas achamos melhor não, ehehehe). Um comentário sobre o backstage do LSC2015. Se esse backstage deles fosse nos festivais brasileiros, os produtores seriam xingados para sempre. A área comum, onde estavam todos esses caras e nós é assim, exatamente assim: um barracão coberto com tapete no chão, uns sofás aleatórios, vários packs de água e hineken quentes num cantinho (no chão e sem gelar) e só! Só lembrando Sean Lennon, Flaming Lips, FuckedUp e Camarones estavam lá, bandas gigantes do rock mundial, eheheheeh!

Muitos ensinamentos legais sobre música nesse dia, um show ótimo e era hora de zarpar. Já podemos dizer que não só tocamos num rolê lindo em Liverpool como tocamos num raro dia de céu azul, sol e calor na cidade. Quase um presente de jah! Falamos de novo quando tivermos em Barcelona, até lá!

Tocando no Primavera Pro em Barcelona.

Tocando no Primavera Pro em Barcelona.

DIA 04, 05, 06 ,07 – DO CAVERN CLUB PARA BARCELONA

Depois de um dia intenso de shows, bandas e ação pesada dentro do Liverpool Sound City era dia de ligar o modo “turista” e passear em Liverpool. Primeira coisa a detectar é – meu deus, não temos nada para carregar, estamos sonhando? Eheheheh. Passear sem mil kilos de coisas nas costas é quase um prêmio para quem está em tour. Andamos por quase seis horas em Liverpool, fomos para jardins, ruas, prédios históricos e para… a rua do Cavern Club, nosso único passeio Beatle agendado. Ainda bem que fomos!

Quando você vai chegando na região, já vai rolando aquela dejavu, não tem jeito. Como todo mundo sabe, o Cavern Club original não existe mais desde os anos 80, o prédio ao lado é um replica mas guarda maravilhas que a gente nem pode imaginar. Pra começar falemos sobre a programação. Nesse dia, um domingo, tinham, atenção, vinte shows programados. VINTE. Começava às 09h da manhã e terminava as 02h da madrugada, diretoooooooo! Pensa ai um pub em Natal abrindo 09h da manhã. Ok, não tem ninguém essa hora né? Tem, e muita! Chegamos as 13h, entramos e tava lotadooooooo. Um palco toca só Beatles e no outro todo tipo de banda, ficamos por ali e deixamos várias libras no merchadising do lugar. Impossível passar intacto. Saímos as 17h e tinha uma baita fila do lado de fora. CINCO DA TARDE!!! Nos despedimos de Liverpool, demos mais uma passeada e arrumamos tudo, no outro dia o lance era Barcelona! Valeu UK!

Dia de viajar de uma cidade para outra aéreo não é fácil e não é para fracos. Temos ao todo 16 volumes, entre hard cases, bolsas, mochilas e afins. Faça as contas: 16 dividido por 4. É coisa demais para cada um de nós transportar. Faz parte. A primeira leva foi até sossegada. Sete da manhã, feriado na Inglaterra e ninguém no trem, suave carregar tudo e fazer a baldeação até chegar no Manchester Airport. Ao todo uma hora e meia até o balcão da companhia aérea. Pausa para falar sobre o aeroporto que a gente reclama tanto no Brasil. Esse de Manchester é ruim, muito ruim num nível hardheavy! Confuso, sem informação e com um monte de coisas falhando. Ficamos bizarras três horas na fila do checkin para despachar a bagagem (mudaram os passageiros três vezes de fila por problemas no sistema). Quando finalmente fizemos o check in o aeroporto anunciou um atraso de uma hora no vôo porque não dava tempo de por geral para dentro. Afi. Vôo tranquilo, chegamos bem em Lisboa para a conexão e… cadê o case de pedais de Fausto? A TAP comeu! Mais duas horas de correria, reclamação, aciona o seguro de bagagens e torce! Faltando trinta minutos pro vôo sair, avisaram que tinham encontrado a mala extraviada. Já estávamos viajando há 10 horas nesse rolê interminável. Chegamos de boa em Barcelona e com todos os nossos equipos. Direto para Praza Catalunya, no coração baladístico da capital catalã para a nossa hospedagem resgatados pelo pessoa do Primavera Sound. Sono dos justos, costas doendo e fim de translado!

Se tem um cidade que você precisa vir uma vez na vida, essa cidade chama-se Barcelona. E venham jovens, porque aqui é o paraíso da diversão de todos os tipos que você quiser: design, praia, turismo histórico, music and junkie places e contando! Estamos simplesmente apaixonados por Barcelona, é como a meca do que gostamos de fazer. Para vocês terem um ideia, além dos quase 300 shows que o Primavera Sound oferece (se seus respectivos sideshows), ainda tem só nesta semana: AC/DC, High on Fire e Danko Jones – isso por que eu nem procurei por mais. Saímos de casa às 11h da manhã e ficamos andando e conhecendo TUDO até meia noite. O bonde da nossa produtora chegou também, então ficamos de galera: Letz Spindola (Skol Music), Jaloo (Músico), Talles Siqueira (minc), Fabrício e Daiane (Construtora), Dotta (Balaclava) e contando. Foram muitas caminhadas, passeios de bike e TONELADAS DE CERVEJAS. Vim embora quando uns bêbados começaram a cair por cima da gente no Nevermind, bar MUITO ROQUEIRO no bairro Gótico (e barrabrava) de Barcelona. De dia a diversão é saudável, quando anoitece a coisa fica pesada. Alguns dos nossos chegaram em casa as NOVE DA MANHÃ. Uou! Foi um dos dias mais divertidos da história dos Camarones, jamais esqueceremos!

Jacaré vacilão vira bolsa de madame, então a vinda mais cedo para casa deixou a gente bem descansado pro dia seguinte, dia de showwwwwww. Logo as 10h da manhã partimos da casa do Talles Siqueira (nosso brother que está nos hospedando) para o hotel do festival (ficaremos aqui três dias). Chegamos, nos arrumamos e a van já estava a postos para nos buscar. A missão hoje era um showcase na Pro Area do Primavera Sound, uma grande convenção de músicos e produtores do mundo inteiro. Éramos a quinta banda do lineup num lugar maravilhoso chamado Macba (lendário pico e centro cultural, quem já viu vídeos de skate em Barcelona com certeza já viu onde tocamos). Pensa ai, céu azul total, 14h, Barcelona, várias bandas gringas juntas, vários agentes juntos, som excelente e você com trinta minutos para sentar a porrada no rock. Foi o que fizemos e foi crazy. Deveria ter umas 400 pessoas em volta e um sem número na praça toda, que coisa linda. E lembre-se, era um showcase. Ficamos por ali trocando figurinhas mas a energia acabou rápido, ainda deu tempo de visitar os mainstages do Primavera Sound e conferir o Albert Hammond Jr (Strokes) e os lendários eletros OMD.

Hoje tocaremos as 17h num dos enormes palcos do Primavera Sound, o H&M Stage. Tem tanto show junto que é impossível a gente citar. Amanhã voltamos para dizer como foi! Até lá!

Tocando no Primavera Sound 2015.

Tocando no Primavera Sound 2015.

DIA 08 – PRIMAVERA SOUND 2015

E chegou o dia. Ontem fizemos o principal show dessa parte da tour, cumprindo agenda no Primavera Sound 2015. Acordamos cedo, fui fazer uma social na área Pro logo ao meio-dia, conversamos com o Pukkelpop da Bélgica, festivais chilenos(fomos convidados para um no final de novembro), peruanos e australianos. Missão “relações públicas” cumprida e seguimos pra passar o som no PS2015. Descrever um pouco do que é o lance (nem se eu botar mil fotos vai dá para imaginar). O rolê todo é na praia num lugar chamado Parc Del Forum. É gigante, de um lado a outro deve dar tipo um kilômetro ou mais. São oito palcos espalhados pelo rolê que além de ser belíssimo, recebe vários prédios com design avançadíssimo, são dezenas deles, públicos e privados. A impressão que se tem é que além das belezas naturais e históricas, neguinho quis ir além, deixando Barcelona no mesmo top do Rio de Janeiro como cidade mais foda e linda do mundo (pelo menos que eu conheço).

Bote esse cenário junto com uma curadoria sofisticada e certeira (sem dúvida a mais foda dentre todos os festivais do planeta). Junto a isso um público qualificado e fã de música de todas as partes do mundo (facilmente uns 200 brasileiros vieram apenas pro Primavera Sound, fora a crew que toca na parada). Chegamos cedo, conferimos os equipamentos e equipe que contratamos pro rolê, passamos o som e ficamos fuxicando com Fabrício Nobre (nosso agente por aqui) e com o poploader Lúcio Ribeiro que chegou cedão para nos ver. Não tinha ninguém em lugar nenhum na nossa área de stage. Só nós. Primeira banda e pensamos: – ok, já tocamos para cinco pessoas em lugares bem menos sofisticados que esse aqui, ehehehehe. Quando fomos chamados para começar, já tinha umas 500 cabeças, do meio pro fim a área ficou cheia e no final já estava cheião. Que presente. Que show. Que dia. Sem dúvida um dos rolês mais inesquecíveis de todos.

Missão cumprida nos shows, muitos espanhóis nos procurando no pós-rock e um show extra marcado para a próxima segunda! Era hora de comemorar e a festa tinha cerveja grátis, comida gourmet e umas bandinhas “desconhecidas” para assistir. PartyUp! Só um detalhe final antes de falar do pós-show. Na foto vocês vão ver que toquei com minha guitarra preta. Pois é. A guitarra vermelha QUEBROU O HEADSTOCK. Tô só com uma agora para fazer mais 14 shows, tenso! Nem foi estripulia, quando fui afinar vi que tinha algo errado e já era, trincada total!

Hora de ver shows nos oito palcos do rolê e andar atrás de música (e se anda muito). Vi o Benjamim Booker que adoro muito em disco. O show foi muito massa, energia ótima numa pegada meio bluesly indie. Dizem que é o Jack White negão, gostei bastante. Na sequência finalmente vi ao vivo os tiozinhos do Replacements (deixei passar no Riot Festival em Chicago há dois anos). Foi uma energia foda, clássicos, pessoas emocionados e totalmente demais, valeu pela aula! Fui repor as energias no bakcstage, bati um papinho com o Tyler The Creator (rap progressista) e com o Mineral (first emo generation) e vi o show dos dois. Mineral é aquele esquema meio Deftones só que menos pesado e com uma afinação não tão grave. Melodias lindas, parte A tranquila, parte B guitar noise e foi assim até o final. Banda seminal, adorei ver ao vivo ( e os caras são bem gente fina). O Tyler The Creator é guri, deve ter tipo 22 anos. Energia para dar a vender e tocou fogo no lugar com seu rap-heresia. Uns 1.000 fucks em um hora! Foi demais, dançamos até se acabar.

Foi lindo. Show agora só segunda aqui mesmo em Barcelona. Até sábado é Primavera Sound na cabeça com mais uns 200 shows para ver. Contamos tudo na sequência, até lá!

Parque da Cidade, Barcelona.

Parque da Cidade, Barcelona.

DIA 09, 10, 11 e 12 – VENDO SHOWS E TOCANDO NUM EXTRA GIG EM BARCELONA

Depois de tocar no Primavera Sound, era hora de degustar o festival e tudo o que ele oferece sem a obrigação de se concentrar para tocar. É nessas horas, assistindo a outros shows, prestando atenção e vendo os vários modelos e tipos diferentes de shows, sonoridades, truques, é que a gente vai aprendendo muito e melhorando. Nesse leva vimos pela menos 40 shows em vários lugares e ambientes diferentes, de Strokes a Tyler de Creator, De Goastt e Thee Or Shees. Foi muito lindo e muito inspirador.

Também pudemos sentir um pouco do que é uma apresentação para muita audiência, que é o lance dos grandes festivais. Dois casos para ilustrar. O primeiro foi quando estávamos indo ao festival no dia seguinte de metrô e um cara nos abordou (espanhol) e disse que tinha sido o melhor show que ele tinha visto no dia anterior, os outros fãs de música do metrô ficaram curiosos e a gente sai distribuindo links pros jovens nos procurarem online. Também nesse dia, enquanto esperávamos a Patti Smith lá no meio da platéia um cara nos abordou (inglês) dizendo que tinha nos assistido em Liverpool, também elogiando bastante a coisa toda. No Brasil já é muito legal isso rolar, fora de casa é espetacular, missão cumprida mesmo!

Dessas bandas todas que vimos, escute com calma pelo menos uma: Thee Or Sees, top show do rolê. Agora só clique se gostar muito de rock porque o lance é varado!!!! Fica a dica.

Então foi isso em Barcelona, passeios, shows e bolhas no pé e já estávamos prontos para um show extra que apareceu na segunda. Esquema bem bom, lugar excelente e no feriadão. Decidimos pedir para casa abrir a porta e fazer a parada gratuita (estávamos a uma quadra e não tínhamos custos com o show). O Terno Rei também topou fazer o rock e foi massa. Uma das guitas na linha, som alto, shows bem bons e reforço na amizade com a turma paulista. Valeu Muito. A Sala Rocksound é excelente, colocaremos o contato deles no nosso último episódio da viagem.

Segunda feira a noite e a audiência foi baixa, acho que umas 30/40 pessoas, mas valeu muito para dar um aquece e enfrentar 08 shows seguidos no próximos seis dias. Já falaremos de Vigo no próximo post. Barcelona está no coração e na mente e agora também nas nossas melhores lembranças. Vamos voltar aqui muitas vezes, que cidade maravilhosa!

Camarones em Vigo, Espanha.

Camarones em Vigo, Espanha.

DIA 13, 14 e 15 – DIAS ATABALHOADOS
Texto: Foca
Foto: Camarones em Vigo/Espanha

Dia de transladar coisas em via aérea é sempre tenso. Muita coisa para carregar, transporte complicado, atenção máxima para não perder nada e rumamos pro Aeroporto de Barcelona com destino a Porto. A primeira parte do despacho das bagagens foi sossegado, o aeroporto de Barcelona é bacana e fomos comer algo (sempre chegamos com pelo menos três horas de antecedência nos vôos, porque é na correria que a zebra acontece). Na hora de entrar no avião a turma da Vueling não nos deixou subir com as guitarras, mesmo tendo espaço em cima, disseram que era proibida a subida com os instrumentos e que tínhamos que despanha-los (e pagar por isso). Funcionários grosseiros e mal educados o blá blá blá durou uns 15 minutos. Para não perder o compromisso firmado, aceitamos o ROUBO imposto pela empresa, pagamos o que nos cobraram e ficamos torcendo para que nada de ruim acontecesse com os instrumentos. Lembrem-se, não andamos de hardcase, só bags. Tudo certo, chegou tudo intacto e fica a lição: VUELING NUNCA MAIS! NÃO RECOMENDAMOS!

Assim que chegamos ao Porto encontramos o Tiago Viera, um dos bookings da parte portuguesa da tour. Junto com ele uma mini-van linda e preta, dessas que você sonha em ter uma, dentro dela UM PALCO COMPLETO com TUDO QUE PRECISAMOS PARA FAZER UM SHOW. Se tiver uma tomada e um palco coberto em qualquer lugar podemos tocar sem precisar de nada e com extrema qualidade (incluindo até caixas de voz se necessário). Isso garante qualidade mas inclui uma logística chatinha para não arriscar a tour. Temos sempre que estacionar em parks (caros), não dá para ir com o carro em todos os lugares e além das nossas próprias coisas, agora temos mais uns 20 GRANDES itens para carregar, montar e desmontar todos os dias. Rock!

Não tínhamos tempo a perder e fomos rumo a Galícia, mais precisamente a Vigo na Espanha para o nosso primeiro compromisso dessa perna de tour fora dos festivais. Que cidade linda (botamos vários fotos nos nosso instagrans pessoais) que é Vigo, ficamos deslumbrados, pena que não deu tempo para nada. Conseguimos desembarcar na porta do Frenopátiko, um pub bem pequeno (100 pessoas) que já tem dez anos de existência e é gerido pela turma do grind/metal/punk local. De brasileiros passaram lá recentemente o Claustrofobia e o Iminnent Attack (o Test passa em Julho). Quarta a noite, audiência baixa (shows segunda, terça e quarta são bem comuns, mas não tem tanto público, obviamente) e mandamos bala. Com a van na porta foi tranquilo montar e desmontar tudo, já fomos pegando a prática. A dormida do dia era num squat ocupado por uma turma anarquista da região. Cansadões, nem tivemos muito tempo para trocar uma ideia e fomos dormir (ou tentar). Essa ocupação era bem loca, tipo uma casa de um banqueiro que estava fechada e a galera invadiu, botou internet, fez um palco, um bar, uma horta orgânica e é isso. Na parte de cima geral dorme, mas é um “se vira nos trinta”. Mal tem colchões e cobertores só se você tiver o seu. Não estávamos preparados para a missão e ficamos congelando o resto da noite toda (uns 14 grau para potiguar é um frio amoado). Nem esperamos amanhecer e vazamos para próxima cidade, com o aquecedor do carro ligado no máximo. Valeu Galícia, valeu Vigo, valeu Ocupação. RockOn!

Viana do Castelo foi o destino numa viagem de menos de 100km. Linda estrada, lindo nascer do dia e um café bacana para recompor as energias. Arrumamos um lugar para guardar o carro e achamos a nossa dormida, uma hospedaria legal demais bem no centro histórico. Essa região de Portugal é praticamente turismo fulltime e de gente mais velha. Destino religioso com igrejas de todo jeito, santuários e afins. Bonito de ver, mesmo para quem não é de religião nenhuma. Ficamos curtindo a cidade até o final da tarde e vazamos para Porto numa viagem de 80km. O show por lá estava estranho desde o começo, não achamos nada na fanpage do espaço (nem achamos a fanpage), não tinha cartaz e eu ainda perguntei pros bookings antes de sair se valia a pena ir lá. Deram o ok e fomos. Chegamos no local, um cara abriu meio sem saber de nada, resolvemos montar tudo e quando o dono chegou, meio away, descobrimos que ele também não sabia de muita coisa sobre o show. Resultado prático, só a gente que estava sabendo da parada e mais ninguém, hehehehe. Show cancelado é normal na quantidade de shows que a gente tá fazendo, muitos aparecem no caminho e outros vão caindo, ainda não tinha acontecido com a gente mas ontem aconteceu: show cancelado. Tudo certo se a gente não tivesse viajado e carregado todo o backline escada abaixo. Uou, faz parte!

Engolimos o choro e voltamos a Viana do Castelo, hoje tem um show com o clube de motoqueiros da região, esse tem cartaz e outras bandas junto e vai rolar, eheheheh. Vamos contando como foi tudo mais a frente! Até lá!

Passagem de Som em Viana do Castelo, Portugal.

Passagem de Som em Viana do Castelo, Portugal.

DIA 16, 17 E 18 – CALOR E ROCK EM PORTUGAL!

Gente, sabe aquele friozinho de Liverpool e noites bacanas de Barcelona com temperatura amena? Já era, o verão chegou forte na Europa e em Portugal o calor está insano!

Depois do show que não aconteceu em Porto (cidade tabú para gente) entramos no dia seguinte com sede de tocar. Já perto das 16h esperamos os nossos bookings e fomos até a arena da Concentração Motard, um grande encontro de motos e amantes de motos da região. Ficamos bem impressionados com o tamanho da parada. Bem no meio do Parque da Cidade de Viana com uma estrutura para receber umas 3.000 pessoas. Palco gigante, nosso backline truando e ficou tudo prontinho para o rock. Tocamos na festa de abertura com umas 500 pessoas no rolê e foi muito massa. Tirou aquele agôro de não tocar no dia anterior. Só um comentário adicional sobre Viana do Castelo. Cidade muito linda, muitas cosias legais para ver e recomendadíssima para turismo de gente mais velha que curte tranquilidade e rotas diurnas. Não há jovens no lance e nem nada para entreter jovens, pelo menos ficamos nessa impressão.

Hora de se zarpar de Viana e seguir para Guimarães, viagem bem curta de 40 km. Fomos direto para Fnac cumprir uma agenda do circuito deles que tem ao todo três shows. As lojas são sempre iguais, um lance enorme com um café + stage muito bonitinhos para os shows. Ganhamos uma fichinhas e comemos uns doces da casa e ficamos debatendo o tema “como vamos tocar aqui sem estrondar a loja”? ehehehe. Ok, se adapta aqui, muda o set acolá, começa devagar e vai aumentando, quando alguém chegar para reclamar já acabou. Foi essa a tática utilizada. Terminou que foi bem legal, fizemos amizade com o programador que adorou (e foi no nosso show no dia seguinte) e a missão um do dia foi cumprida. Junta tudo e vai para missão dois. Sim, dois shows no mesmo dia pro rock ficar quente. Rumamos para Joane (15km de Guimarães) e montamos o rock no Contemplarte, um centro cultural com diversas atividades culturais e que rola rock doido no Café, numa sala bem pequena mas muito linda! Montamos a jato, porque eu fiquei aperriando geral para ir pro hotel ver a final da liga dos Campeões (Neymar tombou, Barça campeão). Voltamos pro show que deveria ter umas 40 pessoas e com o rock reprimido da Fnac, soltamos a mão. Adorei o show, um dos melhores até agora. Vibe muito boa, lugar lindo e quente, foi muito massa. Valeu geral da Contemplarte. Detalhe técnico, vocês já viram fotos do backline né? Com essa brincadeira de dois shows no mesmo dia, ficamos QUEBRADOS DE CARREGA-LO. Dor nas costas, olá!

Levanta acampamento e segue para advinha? Mais dois shows no domingão, os dois em Braga. Um pouco mais correria porque os horários eram próximos, então vamos lá. Se no dia anterior o show da Fnac rolou legal, no de Braga já não funcionou, tivemos que tocar mais baixo ainda e demos uma espantada na audiência do café! É o rock né? Nesse quadro, reduzimos o tempo do show e tocamos só 8 músicas que deu uns vinte minutos. Ai fica todo mundo feliz! Não dá nada, arrumamos tudo e seguimos pro Se La Vié, casa bem na frente da Sé de Braga, uma enorme igreja lindona. Rock e santidade, rock benzido! Antes de passar o som tivemos que esperar uma procissão que rolou, inclusive. Som montado, sala linda, rock altão e mandamos bala em quase uma hora de show. TAVA MUITO QUENTE, MUITO MESMO, DE VERDADE. A gente derreteu geral e tomamos mil cervejas que não fizeram nenhum efeito porque estava suado o rock todo.

Foram sete shows em cinco dias. Monta-desmonta insano e comemoramos mais esse desafio comendo um bife com ovo em cima, num restaurante próximo do hotel vendo o horrendo time do Brasil ganhar do time B do México. Credo. Hoje é dia de tomar Mioflex, recuperar as costas e o pescoço e ficar dormindo o dia todo. Off day, finalmente. Voltamos já com mais shows. Ainda tem seis deles para terminar essa gig Europa. Bora para cima!

Camarones em Aveiro, Portugal.

Camarones em Aveiro, Portugal.

DIA 20, 21 E 22 – AVEIRO E GUARDA, CIDADES LINDAS E ROCK LINDO

São 12 semanas fora de casa desde que a tour de lançamento do disco começou. Já foram Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil e mais essa gig europeia e claro, começou a pesar o cansaço. Entramos na última semana de shows aqui pela Europa num clima de despedida de Portugal. O lance é que viemos nessa região dois anos seguidos e temos convites para outras partes da Europa. Como está bem difícil vir duas vezes ao ano por aqui, é bem possível que fiquemos um bom tempo sem pisar nessa região. Por conta disso estamos aproveitando cada momento, aproveitando para visitar o que ainda não visitamos e dar um check definitivo por aqui. Gratificante saber que muita gente da cena portuguesa já nos conhece e admira o que fazemos, muito legal!

Ficamos off em Braga e aproveitei para dar uma esticada nos trabalhos do Brasil (Festival Dosol, projetos adicionais e afins). Aprontamos tudo no dia seguinte e ficamos esperando nosso booking Tiago Veiga chegar para seguirmos viagem. Ele vai nos acompanhar e dirigir até quinta dessa semana. Tudo pronto e mandamos bala na estrada uns 200km até Guarda. Essa região é a mais fria e alta de Portugal. Lindíssima também (tudo é lindo por aqui). Encontramos a turma do Teatro Aquilo e passamos o som. Pausa para falar do Aquilo e de outros lugares que temos visitado nos shows. Muitas das ações feitas no interior de Portugal são bem similares ao que rola no Brasil. Associações Culturais, pontos de cultura e coletivos que ocupam espaços abandonados (públicos ou privados). O Aquilo é nessa pegada, um grupo de teatro e de tradições portuguesas, que assumiu um espaço público e usa o equipamento cultural para promover cultura com um auxílio da prefeitura deles. A parte de shows é tipo num café, bem bonitinha e que cabia umas 80 pessoas. A sala ficou cheia e o show foi muito massa. Véspera de feriado em Portugal, terça gorda! Valeu Simão e geral do Aquilo pelo espaço.

Segue o bonde para Aveiro (a Veneza Portuguesa). Nossa missão era em Bustos, tipo 10km da cidade. Outra associação cultural, dessa vez chamada de Mentes Convergentes. Uma escola que foi abandonada pela prefeitura (fizeram outra maior), cedida para guerreiros culturais fazerem ações por lá. Tocamos num lance chamado “No Recreio”, uma espécie de picnic de verão, com barraquinhas de comida em volta, tapete pro povo ver sentado e afins. Lindeza. Foi dia também de dividir palco com outras bandas, sempre melhor assim (tocar sozinho é chato). Os brasileiros do Wry abriram os trabalhos e chegamos cedo para emprestar nosso backline para eles. Que banda legal, principalmente para quem curte aquele rockão inglês 90. Depois tocou um banda bem doida australiana chamada Ginger and The Ghost, performática e muito boa com uma excelente vocalista. Umas 150 cabeças em volta do rolê e mandamos bala no final da programação. Uma chuvinha ameaçadora quase cai, mas ela foi legal com a gente e segurou a onda. Outro show muito legal (essa segunda parte da tour portuguesa está melhor que a primeira).

Hoje seguimos para Beja, show no parque da cidade, dentro da Programação do Santa Maria Rock Fest (tem várias bandas legais no rolê e uns punks old school tipo Varukers). Nos falamos na sequência!

Na estrada.

Na estrada.

DIA 23, 24, 25 e 26 – BEJA, PORTIMÃO, LOULÉ, GUIA E FIM DE TOUR!

Nossa passagem pela Europa nesta temporada acabou ontem. Portugal, país lindo, com pessoas maravilhosas envolvidas com rock e cultura vão ficar na memória. Com a gente já disse antes por aqui, deveremos demorar um pouco pra voltar por aqui. Nossas rotas apontam pra outros lugares e vamos em frente!

Começamos a série final de shows em Beja e uma viagem de 250km. A missão era tocar no dia zero do Santa Maria Metal Festival, que rola há muitos anos na região. Apesar do lineup ser prioritariamente com punk e metal, também rolam outros estilos roqueiros na parada. Nosso show estava marcado para abertura do festival num café lindão no Parque da cidade. Visitamos o festival, falamos com os organizadores e montamos o rock rapidão. Deu uns bodinhos no baixo no começo do show, mas nada que atrapalhasse o bonde. No final ainda teve pedido de bis e afins para umas 150 cabeças. Ia ter Varukers e afins nos dias seguintes. Bem massa! Um comentário adicional dos costumes locais. Aqui não é proibido (ainda) fumar dentro de casas e restaurantes e para quem já está desacostumado com a situação e não é fumante é muito estranho (e desagradável). Geral fuma e janta numa boa. Discordo, mas é a vida!

Bonde rápido de 90km e seguimos para Portimão, região litorânea dessa área. Altos cais, praia e cidade-turismo no lance. Fomos pro Marginália, que é uma casa que tem mais de dez anos, muito legal da região. Tem uns tributos rolando e sempre shows originais (que é como eles chamam as bandas autorias por aqui). Dividimos a noite (e nossos equipos) com a turma jovem e legal do Anarchy Machine (show legal o deles). Casa com umas 80 cabeças e um público bem atento (as vezes frio, mas é que aqui nego assiste mais que agita em 90% dos casos). Quem estava por lá era o Pedro Gerardo que produziu a Banda do Mar, Cícero, Coisas do Do Amor, entre outros álbuns bacanudos. Conversamos bastante sobre gravação, música e afins, foi massa! Detalhe sobre esse dia: Ana acha que foi picada por uma pulga no hotel (medo) e demoramos mil anos para achar o lugar do show (ainda não tinha acontecido girar tanto atrás de endereço esse ano).

Bonde segue, uns 70 km até Loulé. Tínhamos duas missões, o show por fazer e revisitar um restaurante maravilhoso e barato chamado Avenida, bem no centro da cidade. De novo demos uma errada e fomos parar na praia, serviu para passear já que o trecho era curto e não precisava pressa. Achamos tudo e ficamos umas três horas comendo no Avenida (o prato principal foi um brutal spaguetti com marisco que, na boa, não comerei melhor em canto nenhum). Que lugar. ficamos jiboiando até o Horácio, brodagem dono do Bafo de Baco aparecer. Figuraça! O Bafo é uma das casas mais antigas de toda Portugal que faz shows de rock. Deve ter uns vinte anos. Não tem festa, não tem discotecagem de festa, é só banda de rock fulltime. Várias lendas já passaram lá e nós assanhados, no meio disso. Os Wax Flamingos tocaram antes numa onda meio Black Keys (legal) e viemos depois para umas 60/70 cabeças. BAITA SHOW, BAITA ENERGIA! Tocamos todo o nosso set, demos bis, fizemos TUDO! Foi demais! Goró depois do show e na TV da casa (já duas da manhã) Brasil e Portugal no futebol sub-20. Fui trollado, mas eles perderam no final. Há!

30km para Guia, último show da gig, voltando ao circuito Fnac. Nem descemos o backline dessa vez, ligamos o que deu em linha e fizemos o nosso melhor show dos que rolaram na Fnac (lá é tocar baixinho, lembrem-se). Fim de tour.

Já estamos a caminho de Lisboa, amanhã tem vôo de volta para casa. Só agradecimentos a todo mundo que contribuiu pra que essa tour desse muito certo, em especial para o Fabrício Nobre, Tales Siqueira e os irmãos Veiga (Ricardo e Tiago) pelo suporte ao rolê todo! Obrigado também a todos os produtores e bandas que nos receberam. Obrigado também a geral do Brasil que curtiu, compartilhou e torceu para o sucesso da empreitada. Camarones tour 2015 chegou só na metade, ainda tem muitos kms para percorrer esse ano. Vai vendo! Beijo!

CONTATOS, PRODUTORES, BOOKINGS E REALIZADORES.

Liverpool Sound City - Liverpool (UK)
Primavera Pro - Barcelona (Espanha)
Primavera Sound – Barcelona (Espanha)
A Construtora – Goiânia (Brasil)
RockSound - Barcelona (Espanha)
Frenopátiko – Vigo (Espanha)
Naam – Braga (Portugal)
Ricardo Veiga – Braga (Portugal)
Alma em Formol - Porto (Portugal)
Se La Vié – Braga (Portugal)
Teatro Aquilo – Guarda (Portugal)
Mentes Convergentes – Aveiro (Portugal)
Santa Maria Summer Fest – Beja (Portugal)
Marginália Pub – Portimão (Portugal)
Bafo de Baco - Loulé (Portugal)

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