DIÁRIO DE BORDO: NATAL, SÃO GONÇALO E BUENOS AIRES


Foto: Andres, dono da furgão que está com a gente aqui em Buenos Aires

Nem bem chegamos ao final de março e já marca na nossa agenda mais de 23 datas com atividade de shows e gravações pro Camarones Orquestra Guitarrística em 2011. Esse número trás uma média espantosa de quase uma pauta a cada três dias e nos deixa muito satisfeitos com o caminho que estamos tomando  em prol do crescimento da banda.

Depois da excelente gig que fizemos com o Canastra, voltamos aos palcos duas semanas depois do carnaval. A primeira parada foi em Natal com o primeiro show que fizemos no Cultura Club, novo espaço para shows situado na Ribeira. A festa em comemoração ao primeiro de atividades da LoL Produções foi bem bacana e cerca de 100 pessoas deveriam estar no local quando nos apresentamos. Essas tocadas em casa servem para apurarmos nosso set, já que dá para ter bem a noção de ritmo, principalmente tocando para pessoas que já viram nossos shows antes.

No dia seguinte fomos até São Gonçalo do Amarante, município a cerca de 30km de Natal. Nesse dia o show era de mapeamento.  Junto com o Dosol procuramos arrumar oportunidades de apresentações em lugares que pouca gente iria. Fizemos uma parceira com a banda local Pedobreu e convidamos o Planant para ir junto.

O teatro da cidade é um excelente espaço para shows, para reduzir custos levamos todo o backline e bateria, montamos o set, operamos o som e ficamos aguardando o público. Na hora do show do Camarones o teatro estava praticamente lotado com quase 200 pessoas passando pelo espaço. Fiquei bastante impressionado com a oportunidade ali e cogitamos seriamente em levar uma edição extra do Festival Dosol para aquele espaço.


Foto: manifestação pelos 35 anos da queda da ditadura Argentina

AGORA É ARGENTINA

Com dois shows aquecendo a tour partimos para nossa primeira ação internacional com o Camarones, uma série de shows na Argentina, a convite do selo Scatter Records. Fizemos um vôo tranqüilo que não teve nenhum atraso e chegamos em Buenos Aires perto das onze da manhã de quarta feira. Trocamos real por pesos no banco estatal argentino (melhor opção de troca que achamos aqui, para cada real 2.33 pesos) e ficamos esperando nossa condução até a cidade.

Um cara chamado Andres se apresentou e fomos guiados até seu carro, um incrível furgão dos ans 80 bem estiloso. Fiquei com inveja branca do carro, sonho de consumo do Dosol por vários anos. Já no caminho deu para ver o que todo mundo que vem até Buenos Aires comenta, a cidade é incrível, com um visual parecido com lugares europeus e para nossa sorte com um clima muito gostoso na casa dos 15°.

Em vez de hotel resolvemos alugar um apartamento para fazer de sede, são 7 dias na cidade e precisávamos de conforto e espaço para cumprir nossas pautas direito. Depois de alguma pesquisa resolvemos ficar na 09 de julho, praticamente em frente ao Obelisco bem no centro da cidade. Com metrô a 100 metros e facilidade de localização logo vimos que foi a escolha certa. Preço? Pelos 7 dias 420 dólares, que se dividido para cinco pessoas não chega nem a 30 reais por pessoa /dia.  O local tem cômodos incríveis, muito novo e com internet excelente. Melhor impossível.

Às 15h já estávamos todos nos nossos devidos quartos e já começamos a nos preparar para o nosso primeiro show em terras hermanas. Segui para o congresso Fora do Eixo Latino-America com o intuito de participar das reuniões finais e de afinar nossa primeira apresentação. Vários companheiros brasileiros estavam presentes no Niceto Club e mais de 100 músicos e produtores argentinos debateram por três dias o futuro da música por aqui.

Deixamos tudo pronto para nossa primeira apresentação e partimos para o Sitio Plasma em LaBoca. O local é bem no estilo pub paulista,  com espaços potencializados, estúdio de ensaio, lounge para pocket shows e um espaço em cima para shows (onde nos apresentamos). Acho que cabem por lá umas 150 pessoas e estava completamente lotado na hora da nossa apresentação. Fizemos um show na fúria, nosso intuito aqui não foi de vir passear, mas de tentar fazer realmente um mercado a mais para a banda e cada apresentação está sendo encarada por nós como um chance única para isso.


Foto: Morbo Y Mambo em ação no Sítio Plasma

Saímos bastante aplaudidos e com a sensação de dever cumprido. Todo mundo da casa nos tratou super bem e as bandas que dividiram palco conosco foram bastante solícitas. Antes da nossa apresentação tocaram os excelentes Violentangos e logo depois os não menos excelentes Morbo Y Mambo. Noite nota 10.


Foto: Lugar clássico e inesquecível!

Com todo mundo moído da soma viagem+receptivo+show imendados, acordamos só as 13h do outro dia já com destino certo, só daria tempo de comer (sempre carne da melhor qualidade num restaurante indicado por amigos brasileiros que já vieram aqui antes) e nos aprontar para ir ao Salon Pueyrredon que é considerado por muitos o CGBG da América Latina, localizado na Av. Santa Fé, um dos principais centros comerciais e de entretenimento de Buenos Aires.

Por lá reencontramos nossos amigos do The Tormentos e vimos nosso booking local, o Pablo da Scatter Records. O lugar é simplesmente sensacional. Uma sala antiga gerenciada por figuras lendárias do punk rock argentino com uma excelente acústica e sistema de som (ajudado pelo backline de primeira que os Tomentos nos emprestaram). Íamos ser a segunda banda mas o primeiro grupo atrasou e abrimos a programação. Não sabíamos, mas por lei a música ao vivo da casa só pode ir até a meia-noite e já era 22h quando nosso show começou. Resultado: a casa estava totalmente abarrotada e já perto do meio do show não entrava mais ninguém de tão cheia, juntando uma fila enorme na porta. Dentro tinham cerca de 350 pessoas fácil.


Foto: Dacho e Foca. Camarones e Tormentos na Argentina!

Com aquele clima rock, som excelente e casa cheia, fizemos uma de nossas melhores apresentações do ano. Quando terminamos o set o público argentino pediu bis, a casa nos autorizou e ainda voltamos ao palco para tocar um pouco mais. Incrível. O Tormentos quebrou tudo na sequência mostrando o quanto são grandes por aqui e o El Mato me deu a impressão de ser uma espécie de Los Hermanos indie argentino, tamanha a entrega do público nas músicas deles. Não interagimos muito com eles, em compensação a cerveja e as risadas rolaram soltas com nossos companheiros Tormentos. Noite memorável que nunca vou esquecer. Ainda estavam por lá o Leandro do Falsos Conejos que foi gentilmente nos buscar para não nos perdermos a caminho do show, a turma do Los Lotus (tocamos com eles domingo) e os companheiros do Pata de Elefante do Rio Grande do Sul.

Temos mais datas e pautas na Argentina e no Rio Grande do Sul. Voltamos com mais diário de bordo assim que aparecer um tempinho!

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CURIOSIDADES E DICAS

1) O povo argentina é extremamente politizado, manisfestações são comuns perto de onde estaMos hospedados. No nosso segundo dia por aqui era feriado para se comemorar os 35 anos da queda da ditadura e milhares de pessoas foram a rua lembrar o fato histórico;

2) Andar de metrô é a melhor opção que encontramos de locomoção. O transito da capital federal é caótico e mesmo sendo barato para padrões brasileiros andar de taxi aqui demora muito.

3) O site que usamos para alugar nosso apartamento é www.bytargentina.com, seguro, confiável e fácil de tratar, deu super certo com exelente atendimento;

4) Não teremos muitas fotos do Camarones em ação mas conseguiremos fazer alguns videos, vamos ver o que conseguimos para um mini-doc local.

5) A cidade é linda e as pessoas são lindas. A comida é incrível e os preços são convidativos, tá esperando o que para marcar sua gig por aqui?

Por Foca

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2 respostas a DIÁRIO DE BORDO: NATAL, SÃO GONÇALO E BUENOS AIRES

  1. Baboo disse:

    Vocês tocam em Buenos Aires só hoje? Ou tem mais alguma data.. queria ir ver! :D

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