COMO FOI? TOUR CAMARONES ARGENTINA


Foto: Pré show no El Especial

Depois de passar pela primeira vez no Uruguai era hora da tour do Camarones passar pela segunda vez na Argentina. A missão era conseguir ampliar o trabalho inicial que fizemos por lá no ano passado e dobrar o número de shows. Para isso, ficamos trabalhando duro já com a tour em andamento e os resultados vocês conferem no decorrer do texto

O primeiro dia foi só para nos instalarmos. Fizemos uma travessia de Montevideo para Buenos Aires de barco numa viagem excelente que dura aproximadamente três horas. É a melhor forma de fazer essa viagem porque além de ser rápido, também é bonito e o porto de Buenos Aires é colado ao centro da cidade. Chegamos, pegamos um taxi (que são bem baratos em BsAs) e fomos para nossa casa provisória. Esse é outro momento tenso, quando você aluga um espaço não sabe ao certo o que encontrar, fotos enganam e nós ficaríamos muitos dias na cidade. Um lugar confortável e com internet rápida era primordial para os nosso planos

Escolhemos ficar na Tacahuano com a Corrientes, bem no coração do centro de B.A. “Para a nossa alegria” o apartamento era excelente, com bons quartos, ar condicionado, aquecedor, uma ótima cozinha e uma internet bem boa. De troco ainda tinha uma celular disponível, o que fez muita diferença no decorrer dos dias. Então não tinha desculpa, era rock de noite e descanso de dia todos os dias.

Um último plano do primeiro dia da tour era arrumar nosso ingressos do Quilmes Rock. Compramos via web mas descobrimos que não podíamos retira-los. Tivemos que cancelar a compra e recomprar os tickets direto no guichê. Deu certo. Acordamos na terça com a missão de fazer nosso primeiro show.Demos uma volta pela cidade, revisamos os equipamentos e perto das 20h rumamos pro El Especial, um pub bem bacana localizado na Rua Córdoba. Backline bom, espaço pequeno mas bem massa e excelente público (público de sábado sendo que  era TERÇA).


Foto: Salon Pueyrredon lotadão

Uma banda instrumental abriu os trabalhos mas eles não disseram o nome durante o show ficando difícil de saber quem era, logo depois, veio um outro grupo que também não estava no panfleto do show e em seguida foi nossa vez. Na ansiedade do primeiro show tocamos varados, com os andamentos um pouco mais rápidos que o normal, mas nada que atrapalhasse a performance. O salão ficou abarrotado e saímos muito satisfeitos. Os Primitivos, banda no esquema Stray Cats, tocaram logo depois e foi muito bom também. Enquanto nos preparávamos para ir embora mais bandas subiram para tocar e depois ficamos sabendo que é costume da casa montar duas festas ao mesmo tempo com duas divulgações diferentes, por isso que no nosso cartaz tinham duas bandas e mais três também tocaram.

Na quarta foi off para shows porque fomos ao Quilmes Rock. Ver shows e curtir experiências ao vivo é tão importante quanto tocar e escolhemos ver Massacre, Cage The Elefant, Joan Jett, Tv On The Radio, Artic Monkeys e Foo Fighters nesse dia. O fato curioso e complicado é que um pouco antes do Artic Monkeys começar se formou uma grande tempestade que quase bota tudo a perder. Dentro do estádio não dava para ter noção do que estaria por vir. Foram quase 50 minutos de chuva muito forte que quase cancela o show do Foo Fighters. A chuva passou, o show foi lindo mas no outro dia nos jornais foi anunciado que aquela chuva tinha matado 14 pessoas no subúrbio de Buenos Aires e tinha sido considerada uma tempestade tropical (quase um furacão). Bairros sem energia, vidros e árvores quebrados na Corrientes e em todo o centro e por aí vai. Tenso!


Foto: Satan Dealers, Scatter, dosol, Camarones, Falsos Conejos, Rock City e contando!

Quinta tinha show em La Plata mas nossa apresentação foi relocada para o El Especial novamente. O espaço de La Plata tinha sido fechado pela prefeitura (está acontecendo muito em toda a Argentina) e achamos prudente não arriscar. De novo com casa lotada fizemos um ótimo show desta vez perto das quatro da manhã. Nesse dia, depois do nosso show tocou uma banda excelente chamada Los AutoPistas, esquema Weezer e SuperChunk. Adorei. Mais cedo peguei uma Danalectro, guitarrinha bem da hora para aumentar o set do Camarones e do Estúdio Dosol. A Tacahuano, rua em que nos hospedamos, é a rua das principais lojas de instrumentos de Buenos Aires e os preços são bem convidativos.

Sexta fomos passear a pé, dar rolê pelo centro e nos preparar pro rock. O dia era de Salon Pueyrredon, uma das principais casas alternativas de Buenos Aires e nossa principal pauta na cidade. Chegamos na casa, já conhecíamos tudo por lá (no ano passado também tocamos no espaço) e fomos montar o merchadising. O dono do espaço veio falar com a gente e descobrimos que eles usam uma das nossas músicas no set list pré-show da casa. Resumindo, todos os dias, toca Camarones antes dos shows começarem e MUITA GENTE já conhecia Sweet Familia Adams. Os Tchocolos abriam os trabalhos num punkão bem massa, viemos na sequência com bem pressão e o Satan Dealers fechou os shows com o classic rock bacanudo que muitos de vocês que moram em Natal viram no Festival Dosol.

O público foi excelente, enchendo o espaço mesmo num feriadão de semana santa. E após os shows descobrimos que muita gente tinha nos visto nas duas datas anteriores e no ano passado, incluindo até brasileiros que moram em Buenos Aires. Muito massa ver que show vai gerando público. A banca vendeu bastante e voltamos para casa com aquele sentimento de missão cumprida.


Foto: Arthur heavy metal

Sábado faríamos nossa segunda apresentação em Burzaco mas infelizmente, pelos mesmo motivos de  La Plata o espaço que tocaríamos, o El Tio Bizarro, também foi multado pelo governo e resolveu não abrir. Acho que a única maneira de resolver isso vai ser mesmo se adequando as leis ambientais, que parecem ter chegado com força a BsAs no último ano. Em quase todas as casas também se fuma livremente, mesmo sendo proibido, e algumas multas também são decorrentes disso.  Então sábado, na prática, foi o único dia off da parte Argentina da tour.

Domingo o show foi no UniClub, casa muito bacana com capacidade para umas 400 pessoas. Na noite tinha MotoSierra e Pelea de Gallos junto. Como entramos depois na programação abrimos os trabalhos para umas cem pessoas. Tecnicamente foi nosso melhor show, tocar todo dia vai dando essa segurança e deixando azeitado o lance todo. Na hora do Motosierra com a casa já lotada (domingo de páscoa a noite) o bicho pegou. Quem conhece o show da banda já sabe o que esperar: perigo, muito perigo. A coisa foi ficando tensa, microfones voando, público doido, banda xingando e ai o Marcos MotoSierra pula na plateia, fica surfando em cima das pessoas, alguém o empurra com muita força para cima, ele voa e cai de cabeça no chão e apaga. Correria, ligam-se as luzes da casa, abre a porta de emergência chama ambulância, polícia e tudo mais. Fim de show. Marcos ficou quase dez minutos desacordado, e além de uma puta convulsão, fraturou a perna no episódio. Épico.

O nosso último dia de shows em Buenos Aires foi numa segunda.  Éramos uma espécie de headliner da noite que teriam mais três bandas. Pensamos que se todos os dias tocamos para excelentes públicos, hoje era dia de tocar para ninguém. Segunda de noite, última banda, com os shows começando as 22h? Era quase certo tocar pro técnico de som. Antes ainda deu tempo de visitar o Niceto Club e ver o show do Thurston Moore do Sonic Youth (tava lotado).

Chegamos o ClubV, ficamos por ali, conversamos com várias pessoas que estavam pela segunda/terceira vez nos show e deu nossa hora. Sala para 150 pessoas com mais da metade preenchida de gente segunda duas da manhã, é mole? Fizemos um set maior, tocamos tudo o que tínhamos na bagagem e fim de tour.

O resultado de tanto esforço pra fazer oito pautas em 11 dias de tour é muito recompensador. Nosso facebook tem mais comentários em espanhol do que em português na última semana, vários discos vendidos, trocados, vários entrevistas para blogs, sites, jornal (o Clarin), shows, contato com bandas locais. Já nos sentimos em casa em Buenos Aires e sentimos que somos bem vindos por lá quando quisermos.

Essa tour não seria possível sem a enorme dedicação de Leandro Conejo (Falsos Conejos), Scatter e Rock City, a quem agradecemos imensamente. O Falsos Conejos faz shows pelo Nordeste no fim de maio e desde já convido todos a assistir os caras, que é bem legal! Até a próximas Buenos Aires!

DICAS PARA FAZER BOAS GIGS E PASSEIOS NA ARGENTINA

1) Para quem está em tour apartamentos mobilhados são bem melhores e mais baratos que hotel. Tem muitas opções de aluguel e é só procurar que acha tranquilo.

2) Café na Corrientes e comida em Porto Madeiro são baladas de turista. Muito caros e as vezes nem vale muito a pena. Se você não quiser gastar tanto procure outros lugares que tem mil deles em toda Buenos Aires.

3) Mesmo com agenda pré-estabelecida fique esperto nas oportunidades e pesquise muito o que está rolando na cidade. Quando estávamos em Montevideo, só tínhamos três datas na Argentina, as outras que conseguimos foi no decorrer do caminho. Insista e não se acomode com o que já tem.

4) Se a gig envolver Montevideo e Buenos Aires não pense duas vezes: troque seus pesos argentinos em Montevideo. A diferença é de quase 0,30 na cotação. Muita coisa. Trocar pesos argentinos no centro de BsAs é muita roubada. As casas de câmbio já sabem que brasileiro deixa tudo para última hora e exploram geral na troca. Nunca, em nenhuma hipótese, troque dinheiro no meio da rua, a emissão de notas falsas na Argentina é um problema crônico. Fique esperto em trocos altos também para não receber nota fake.

 

5)Se tiver um jogo de futebol viável para assistir no estádio não pense duas vezes. É um programa incrível.

6) O turismo roqueiro em Buenos Aires é um dos melhores do mundo. Tem show foda acontecendo praticamente todos os dias. Só quando eu estava lá tinham mais de 20 shows que eu queria muito ver (terminamos vendo oito). Vale a pena pegar uma avião e fazer esse tipo de turismo roqueiro. Paguei 60 reais para ver o Thurston Moore há dois metros num som excelente. Na terça, dia que voltamos tinha Damned e Jane`s Addiction em casas para no máximo 1.000 pessoas.

CONTATOS DA TOUR
Leandro Conejo (Falsos Conejos) – [email protected]
Pablo (Scatter Records) – [email protected]
Black Fish Discos – http://www.facebook.com/peznegro.discos?ref=ts
Salon Pueyrredon – http://www.salonpueyrredon.com.ar/
El Especial – http://www.especialvideobar.com.ar
ClubV – http://www.facebook.com/Clubvar

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2 respostas a COMO FOI? TOUR CAMARONES ARGENTINA

  1. Heloísa disse:

    Sou fã da banda e estou muito feliz por vocês!!!

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