COBERTURA: GRITO ROCK MACEIÓ POR POPFUZZ

Cobertura Festival Grito Rock Maceió 2011

A Introdução

Dia 25 de fevereiro, prévia carnavalesca em Maceió, no histórico bairro do Jaraguá e também dia de Rock, graças à parceria entre o Coletivo Popfuzz, jaraguá Folia a Prefeitura Municipal. Fazendo pela segunda vez o Festival Grito Rock, considerado o maior festival integrado do mundo, e que acontece em toda América Latina, foi apresentada uma alternativa em meio à folia do Jaraguá. Este que vos escreve não só compareceu ao evento como ajudou na organização, mas antes, primeiramente, aqui vai uma pequena fábula para vocês.

Planant no Grito Rock Maceió 2011 (por Gabriel Passos)

A Fábula

Era uma vez um ensaio que acabou já tarde, às 24h do dia 24 (quinta-feira). O vagabundo de bom coração foi convencido, já que estava sem carro, pelo vagabundo de mau coração a passar no bar e tomar uma cervejinha. Relutou contra isso, mas no final das contas aceitou. Chegando lá estavam três pessoas conhecidas em uma mesa que logo convidaram os vagabundos a sentar. Lá estavam a bailarina, a fada e a princesa, todas bebendo e jogando conversa fora. Os vagabundos sentaram e começaram a beber, e a beber, e a beber. Quando deu 1h30, o vagabundo de bom coração começou a se preocupar, e a bailarina, a fada e a princesa deram sinais de que também queriam ir. O vagabundo de mau coração relutou e pediu mais meia-hora. As pessoas da mesa resolveram ir e o vagabundo de mau coração disse que iria pagar uma dose de tequila para o bom, antes de partirem. Tomada a tequila, eles avistaram uma doce bruxa boa do norte que estava sozinha em uma mesa. Encantados pela sua presença, depois de muita conversa entre si e com a coragem dada pela tequila, eles resolveram convidar a bruxa boa do norte a sentar-se com eles na mesa, o que foi aceito por ela. Os três sorridentes conversaram até 3h30 da manhã e o vagabundo de bom coração foi dormir às 4h da manhã quase esquecendo que às 7h devia estar de pé para trabalhar o dia inteiro.

Moral da história: Tequila nunca deixa você ir embora.

FIM

A Cobertura

Às 7h30 da manhã, desperto para começar os trabalhos. O primeiro deles era pegar uma bateria para começar a maratona de organização. Após enfrentar 1h de transito na avenida principal do Jacintinho, chego à praça Marcilio Diaz, encontro o meu caro Lueba e ficamos esperando a CEAL vir instalar a energia para usarmos no palco. O pessoal do som já se encontra no local e começam a descarregar o equipamento. Hora de voltarmos pra casa para o almoço e um pequeno descanso para voltarmos à praça.

Comecinho de tarde chego à praça, apenas eu, o pessoal do som, alguns ambulantes que já começam a se organizar para a noite do Jaraguá Folia. Alguns nóias e mendigos bêbados nos fazem companhia. Francis, Caíque e Nando chegam, assim como Gabriel, nosso “estagiário” e grande apresentador da noite (haha).

A primeira banda da noite, a maceioense Eek, chega pra passar o som e logo em seguida abrir o festival. Às 18h40, está tudo pronto para começar o show, algumas pessoas já se encontram no local e a Eek começa sua apresentação. De uma só vez eles jogam as músicas mais pesadas da banda para o público, rock com força, mesclado a guitarra bluezeira e a voz suave do vocalista Diogo. Depois da porrada, nas cinco primeiras músicas, eles acalmam e exibem ao público suas músicas mais baladas para os presentes curtirem na boa, atentos às bonitas melodias. Fecharam o show com a minha música preferida deles, a Radiohead fase Pablo Honey, “Chegando ao fim”.

Eek (por Gabriel Passos)

Encerrado o show da Eek, chega hora dos arapiraquenses da Rei Bulldog, mesma hora em que sou escalado para fazer o pior trabalho do dia, enfrentar o trânsito do Jaraguá e de toda parte baixa para buscar duas bandas visitantes, Planant (RN) e Voyeur (PE).

Consegui sair do Jaraguá, enfrento pequeno trânsito para chegar à Pajuçara, onde está hospedada a Planant. Aviso a eles que iremos em um só carro, porque o trânsito está um inferno. Todos a postos, passamos no bar Lopana para pegar a galera da Voyeur, que havia acabado de chegar à Maceió. Coitados, teriam que ir direto para o show. De volta ao carro com a Planant e o pessoal da Voyeur seguindo, fazemos um “arrudeio gigante”, em bom nordestinês, para arrumar um caminho que nos leve ao evento, já que tudo no Jaraguá já estava fechado, devido aos blocos. Depois de erros de entrada, conversas frustradas com guardas e muito stress, consigo deixar as bandas na Marcílio Dias. Chego stressado, cansado e já havia perdido o show da Rei Bulldog e dos potiguares da Camarones Orquestra Guitarristica. Por isso, agora os deixo com a descrição do show de ambas as bandas pelo ilustre Francis Silvestre:

Rei Bulldog ( por Leo Arcoverde)

“Rei Bulldog foi uma grata descoberta auditiva da noite. Por desleixo nunca tinha ouvido a banda (nem pessoalmente nem em gravação) e acabei gostando da apresentação. Pulando entre o rock alternativo e algumas músicas em clima folk, agradou bastante fazendo um som honesto e bastante interessante.”

“A Camarones Orquestra Guitarrística entrou em palco despertando uma grande expectativa de diversão para quase todo o público que estava no evento. Já na passagem de som, algumas pessoas já estavam comentando do show passado e de como tinha sido divertido a experiência camaronística. E a banda correspondeu a toda a expectativa.

Camarones Orquestra Guitarrística (por Leo Arcoverde)

Já nos primeiros minutos de show, todos – mas todos de verdade – que estavam sentados na praça ou então dispersos pelo local, rapidamente se aglomeraram em frente ao palco pra dançar sob aquela surra de guitarras gostosa e “ixsperta”. Fui perguntado umas quatro vezes pelo nome da banda e todas as vezes que eu dizia o nome falavam: “Muito foda ein!”, e eu sorria. Uma dessas pessoas era uma senhora de aproximadamente uns 50 anos e a cara de alegria que ela fez ao me perguntar o nome foi uma coisa muito gratificante, realmente estava curtindo o show. Todos dança, todos ri e todos anima para os shows seguintes, definitivamente uma das melhores apresentações da noite, em que o rock comia solto na praça em meio de frevos e marchinhas de carnaval.”

A.S.U (por Gabriel Passos)

Já estava me servindo de cerveja e pizza quando sobe ao palco o rap alagoano do Anônimos da Sociedade Underground (A.S.U). Os caras mostraram mesmo pra que vieram, colocaram muita gente pra dançar, totalmente animados no palco, diretamente de Bervelly Bills City, como o próprio Will Grind, um dos MC’S, costuma falar. O DJ ASB fez um estrago nas Pick ups, os MC’S detonaram e ainda tiveram a moral de chamar dois caras pra dançar um break no palco, que pra mim foi o ponto alto do show. Parabéns A.S.U!

Planant (por Gabriel Passos)

Chega a hora da apresentação dos potiguares da Planant. Confesso que estava bastante curioso pra ver o show, pois o pouco que havia escutado do EP lançado da banda tinha me agradado bastante. Planant é assim: guitarra, baixo e bateria. Tudo bem tocado, divisões de vocais lindas do guitarrista e vocalista Rodrigo e da guitarrista Cris, e a cozinha baixo e bateria impecável. Dizem que eles remetem a U2, e realmente existe uma grande influência no som deles, mas dizendo de maneira sutil, não sou fã de U2. Posso dizer que a Planant é uma banda muito boa, rock alternativo de ótimas melodias e com um pezinho nos anos 80. O show conseguiu dividir opiniões: de um lado os bêbados que queriam só bater cabeça e, do  outro, a galera que ficou de olhos vidrados o show inteiro.

Meia-noite é a hora que os incansáveis pernambucanos da Voyeur subiram no palco. O grupo estava disposto a colocar todo o público para dançar com seu electro rock. Guitarreira, programações eletrônicas, músicas divertidas e uma vocalista carismática animaram os presentes. O guitarrista Paulista não ficava atrás com o seu carisma de rockeiro glam sem androginia. Pura diversão!

Voyeur (por Gabriel Passos)

Encerrado o show da Voyeur, chega a vez dos alagoanos da Misantropia, para delírio dos punks presentes e que agora podem pogar como nunca. Escalados para encerrar o festival, a Misantropia, que possui 20 anos de estrada, fez algo inédito em sua trajetória, já que os caras nunca haviam tocado em um show público. Uma porrada atrás da outra, eles fizeram a alegria dos rockeiros e só posso dizer que o rock triunfa de novo.

Misantropia (por Gabriel Passos)

Festival selado e correria pra desmontar as coisas, porque no outro dia tínhamos que estar em Arapiraca para organização do Grito Rock da Terra do Fumo. Lembrança que fica é do sorriso dos organizadores de terem conseguido mais uma vez colocar um palco de música independente em meio aos blocos de carnaval maceioenses. Nenhuma confusão registrada, apenas diversão, boa música e festa. Esperamos que tenha sido tão bom para o público quanto foi para nós envolvidos, e só sei que para o ano tem mais.

Rodolfo Lima

link: http://popfuzz.com.br/releases/cobertura-festival-grito-rock-maceio-2011-2/

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