CLIPPING – PORÃO DO ROCK: ROLLING STONE

Jon Spencer Blues Explosion e Symfonia encerram o Porão do Rock, em Brasília

Por Stella Rodrigues, de Brasília

Segunda noite da edição 2011 do evento teve menos público do que a anterior; Wander Wildner e DeFalla também estavam entre as atrações

Foto: Andressa Anholete/Divulgação
Symfonia no Porão do Rock
Symfonia no Porão do Rock

Jon Spencer Blue Explosion e Symfonia encerraram a edição de 2011 do Porão do Rock. Realizado no complexo do Ginásio Nilson Nelson, no último sábado, 30, o evento, novamente, contou com três palcos, sobre os quais aconteceram 22 apresentações. Na segunda data, a programação seguiu bem mais pontual do que no dia anterior. Aliás, mais do que na hora, a maior parte dos shows começou antes do horário previsto. As duas exceções foram as já citadas atrações finais. O Symfonia, por “problemas com a banda”, de acordo com a assessoria de imprensa, começou as atividades com uma hora e 15 minutos de atraso. Provando que o público do metal é realmente tão devoto quanto tem a fama de ser, mesmo com esse imprevisto, a nova banda do brasileiro André Matos, ao lado de músicos escandinavos, se apresentou para um ginásio relativamente cheio.

Já o atraso de dez minutos do trio liderado por Jon Spencer passou despercebido, depois que ele subiu ao palco. A animada mistura de blues, punk e rockabilly do ex-integrante do Pussy Galore serviu para esquentar a madrugada brasiliense, animando quem estava com vontade de dançar ao som das guitarras do grupo. De forma geral, a segunda noite de evento estava visivelmente mais vazia do que a primeira (segundo a assessoria, a contagem foi de 20 mil pessoas, 15 mil a menos que na sexta-feira, 29). Se comparado ao público que, 24 horas antes, assistia à performance do Raimundos naquele mesmo palco, a plateia de Jon Spencer aparentava, além de ser menor, um ar blasé e contemplativo. Mas aí, é claro, entram na comparação os fatores tipo de fã e estilo de música. Quando o Blues Explosion tocou músicas mais conhecidas, como “She Said” e “Sweat”, dava para ver a emoção dos fãs de longa data cantando junto, comovidos. Mas, em geral, esse foi um show de ficar dançando no lugar, observando as habilidades dos músicos e a excentricidade de Jon Spencer, que às vezes parecia falar sozinho e, em alguns momentos, quando ia incentivar o público a se animar, pedia agitação com tanto empenho que parecia dar uma bronca em todo mundo. Com seu jeitão peculiar, pediu, ainda, que fizesse o show em um palco sem luzes e sem telão, de forma que o tom sombrio imperou durante a uma hora e meia de performance.

Outro momento marcante da noite foi a primeira apresentação, em mais de 20 anos, do DeFalla, com os integrantes que gravaram os dois primeiros discos. Edu K, com seu jeito irreverente e um rock que beira o pornográfico, rebolou, fez graça, simulou fazer sexo com a estrutura do palco, bebeu direto de uma mamadeira e relembrou os velhos tempos. Em uma hora de show, deu para viajar no tempo, de volta aos anos 80. No set, “Sodomia” (“a Sandy gosta e a gente também”, brincou Edu, se referindo à declaração da cantora que virou Trending Topic no Twitter), “Jo Jo”, “Melô do Rusty James”, entre outras.

No mesmo palco que Edu, outra banda com letras de apelo sexy havia se apresentado mais cedo, o Brollies & Apples, formado pela escritora Carol Teixeira, DJ Chernobyl e os integrantes do Leela Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão. Com seu electro grunge, como definem, aqueceram o público, que já começou a dançar logo cedo. Chamaram a atenção, principalmente, dos corações masculinos, que gritavam para as belas Carol e Bianca durante as coreografias sensuais das duas. Entraram no set covers de Sonic Youth (“100%”), EMF (“Unbelievable”) e The Runaways (“Cherry Bomb”), além de músicas do primeiro CD do grupo, This Is an Organized Orgy, como “Why Would You Read Shakespeare” e “I Want My Hype in Money”. Em entrevista, o quareto contou que já está compondo faixas para o próximo álbum, que promete ser tão picante quanto este: uma das músicas se chama “Why Don’t You Just Fuck Me”.

Mudando de estilo, quem subiu ao palco após o Brollies & Apples foi Érika Martins. Ela começou a apresentação com “A Rosa”, uma das músicas de seu próximo trabalho, “composto somente por versões de modinhas do início do outro século”, conforme ela contou em coletiva de imprensa. Mas o set list também teve faixas da época do grupo Telecats, como “Kung Fu” e “Sacarina”, e do Penélope (“Namorinho de Portão”, composição de Tom Zé).
Mais tarde, Lucy and the Popsonics também esteve no mesmo palco. Conforme Fernanda Popsonic havia adiantado aos jornalistas antes do show, o grupo optou por selecionar as músicas mais pesadas de seu set costumeiro para que ficasse de acordo com o tema roqueiro do Porão. Não ficaram de fora canções queridas do público como “Garota Rock Inglês” e a nova “Multitarefa”.

Enquanto isso, no outro palco, Wander Wildner animava com sucessos como “Bebendo Vinho”, “Lonely Boy” e “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro”. Ele estava se divertindo tanto – e vendo que o público compartilhava o sentimento – que não queria sair do palco nunca mais: toda vez que ameaçava encerrar, acabava “fazendo só mais uma”. Antes dele, tocaram no mesmo espaço as bandas Bang Bang Babies (Go), que mistura garage rock com surf music, a Etno e a deliciosamente dançante Camarones Orquestra Guitarrística, do Rio Grande do Norte, que fez um show instrumental – bem divertido – de várias vertentes do rock.

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