CLIPPING: ENTREVISTA PRO BLOG O GRITO

Quando a banda poti­guar Camarones Orquestra Guitarrística come­çou seus pri­mei­ros shows, eu estava por Natal. Acompanhei uma ou outra apre­sen­ta­ção de forma des­pre­ten­si­osa, e não pude ver tão de perto pois já havia me mudado para São Paulo. Uma das pri­mei­ras coi­sas que cha­mou minha aten­ção foi o nome: Camarones. Evocando aos gos­to­sos cama­rões, o nome Camarones ainda é mais pró­ximo da ter­ri­nha do que parece: poti­guar é deno­mi­na­ção para o nome dos habi­tan­tes de Natal, e sig­ni­fica “aquele que come cama­rão”. O segundo ponto que cha­mou a aten­ção no Camarones foi o som. Isso pare­ce­ria óbvio se esti­vés­se­mos falando de ban­das, não é? Ok, mas a música do Camarones é estri­ta­mente ins­tru­men­tal, e con­se­gue levar aplau­sos e muita dança na pla­teia durante os shows.

Segundo a inte­grante Ana Morena, isso é pos­sí­vel pois a banda tem grande influên­cia de fil­mes de espi­o­na­gem com agen­tes secre­tos, fil­mes poli­ci­ais dos anos setenta, o que dá uma pitada mais ani­mada e pul­sante às músi­cas. “O prin­ci­pal é que somos uma banda de rock focada em ele­men­tos visu­ais, as nos­sas músi­cas tem sem­pre uma his­tó­ria por trás. Quando com­po­mos já temos uma clipe da música na nossa cabeça. Todas elas con­tam his­tó­rias”, explica Ana.

Feita por gente que já é habi­tué da cena cul­tu­ral da cidade, a orques­tra gui­tar­rís­tica lan­çou o seu novo disco ontem no DoSol Rock Bar. Espionagem Industrial é com­posto de um lado A, com 11 fai­xas, e 6 músi­cas no lado B. Abaixo vocês con­fere o que  Ana Morena, inte­grante do grupo, tem a dizer sobre a banda, o álbum e o lan­ça­mento que acon­te­ceu ontem no Centro Cultural DoSol [para bai­xar, cli­que aqui!].

Como foi o pro­cesso de gravação?

O nome “Espionagem Industrial” veio do nosso gui­tar­rista Leo Martínez. O Lado A foi gra­vado em Natal numa par­ce­ria dos estú­dios DoSol e Costella do Chuck Hipolitho. O Chuck é nosso amigo que­rido de uma data. Já tocou bate­ria com a gente em alguns shows e gosta muito do Camarones, a esco­lha foi muito natu­ral e nós ado­ra­mos. Ele veio para Natal, pas­sou 20 dias aqui com a gente e nesse período só fize­mos uma coisa: gra­var, gra­var e gra­var. Foi muito intenso e foi exce­lente. O Lado B foi sendo gra­vado aos pou­cos com ban­das que fomos encon­trando nas tur­nês e cri­ando uma afi­ni­dade. Quando rece­bía­mos a banda em Natal para algum show, apro­vei­tá­va­mos e já fazía­mos uma par­ce­ria. Foi assim com o Canastra (RJ), The Baggios (SE), Chimpanzé Clube Trio (SP), Hossegor (RN) e Talma&Gadelha (RN). Foi umas das expe­ri­ên­cias mais legais que já tive­mos como banda.

O novo álbum está free na rede, para qual­quer um bai­xar. É uma tendência?

O Camarones sem­pre dis­po­ni­bi­li­zou todos os áudios para dow­na­load free. A gente acre­dita nessa forma de divul­ga­ção e de for­ma­ção de público. Só for­ta­lece a banda e quem tá a fim de com­prar o CD físico, a gente tem pra ven­der tam­bém. Ele é con­tem­plado pelo edi­tal de cul­tura da Petrobras atra­vés da Lei Rouanet e Ministério da Cultura. O edi­tal é a nossa cara por­que é para gra­va­ção de CD e colo­ca­ção para don­wload gra­tuito na inter­net. Quer dizer, caiu como uma luva.

Como foi o iní­cio da banda?

O Camarones sur­giu com várias músi­cas pró­prias cal­ca­das no rock, pop, ska e surf tam­bém: “Antonho, o Grande”, “Cabron”, “Pipa”, “Pra inglês ver”, são músi­cas que esta­vam no pri­meiro EP da banda quando ainda nem tocá­va­mos muito. Mas nós tínha­mos tam­bém no reper­tó­rio algu­mas ver­sões ins­tru­men­tais de tri­lhas de fil­mes e de dese­nhos ani­ma­dos. Dependendo do dia, em shows um pouco mai­o­res, a gente até curte tocar algu­mas delas, mas é raro. Vez por outra rola uma inci­den­tal tam­bém, mas agora com tan­tas músi­cas novas com­pos­tas pra esse novo CD, acho que vai ficar mais difí­cil abrir espaço pra essas versões.

Muitas ban­das em Natal tem vida curta. Quanto tempo já tem o Camarones? E a que você atri­bui essa “longevidade”?

É tanta banda no mundo que é natu­ral que mui­tas tenham vida curta, mesmo. Em Natal conheço várias ban­das que dura­ram 7, 10 anos, tem mui­tas que ainda estão na ativa. O Camarones com essa for­ma­ção tem quase 2 anos, mas 2 anos inten­sa­mente vivi­dos, ahahaha. Eu acre­dito que somos uma banda “nova” ainda, tem muito a ser feito, muita coisa a conhe­cer e muito lugar pra tocar. Particularmente o Camarones pos­sui uma for­ma­ção onde todos nós esta­mos na mesma “vibe”, que­re­mos as mes­mas coi­sas e acre­di­ta­mos muito naquilo que esta­mos fazendo. Ah e nos damos muito bem, então acho que vamos durar mais um boca­di­nho ainda…

Por onde fazem os shows?

Em Natal toca­mos onde nos cha­mam. A nossa casa é o Centro Cultural DoSol, foi onde lan­ça­mos o nosso CD, mas ado­ra­mos o Hell’s e a Casa da Ribeira só pra citar alguns por onde toca­mos aqui. O Camarones tem uma agenda de shows bem extensa, rodando o Brasil todo. Só em 2011 deve­mos ter­mi­nar o ano fazendo mais de 80 shows. A banda já cir­cu­lou por quase 50 cida­des, já tocou na Argentina. E sin­ce­ra­mente, cada show teve a sua graça e a gente agra­dece sem­pre às pes­soas que saem de casa e vão se diver­tir com a gente.

E como foi o lan­ça­mento ontem?

Foi sen­sa­ci­o­nal. Público exce­lente, ani­mado, se diver­tindo com a gente e teve ainda shows incrí­veis dos ami­gos do Hossegor e Talma&Gadelha. Quando tudo ter­mi­nou e o público foi embora, fecha­mos as por­tas do Centro Cultural DoSol e fomos come­mo­rar só com os ami­gos, foi uma noite memo­rá­vel, mas tem uma cláu­sula que todo mundo assi­nou na saída da festa que impede os vídeos de serem pos­ta­dos no Youtube!

http://revistaogrito.com/ctrlmusic/camarones-orquestra-guitarristica-novo-cd-e-muita-disposicao/

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