CLIPPING: ENTREVISTA COM O CAMRONES NO FOQUEANDO

“Os Camarones” é uma banda potiguar de música rock instrumental  que mistura elementos de Ska, Pop, Surf Music composta por Ana Morena (baixo), Anderson Foca (teclado /efeitos), Karina Monteiro (guitarra) , Leo Martinez (guitarra)  e  Xandi Rocha (bateria). Criada no final de 2007 com o objetivo de fazer música instrumental  divertida e dançante, a banda possui dois EPS “Corra Cabron, corra” e “Tudo Junto” , um CD “Homônimo” e  logo mais sairá o seu segundo CD, Espionagem Industrial
Entre 29 e 30 de julho rolou em Brasília o Porão do Rock, um dos festivais mais importantes do circuito do rock independente brasileiro. Os Camarones Orquestra Guitarrística  foram convidados para tocar  na 14º edição do PDR, porém não  é a primeira  vez que a banda toca na capital, ano passado eles também participaram do Rolla Pedra.
Foto: Porão do rock
Nessa última vinda ao Distrito Federal  a banda gravou o Clip  da música “Com a Água no Pescoço” com a galera da “A Lojinha de Filme”. Direção de Zé Pedro Gollo  e Alex Ribondi com  a participação dos atores Ricardo Pipo e Jovane Nundes, dos “Os Melhores do Mundo” .
Foto: Making off do Clip ” Com a Água no Pescoço “
Como um dos integrantes da banda é meu amigo, consegui papear um pouquinho com os integrantes. Confiram agora:
(Entrevista  feita com Leo Martínez, guitarrista da banda Camarones Orquestra Guitarrística)
PERGUNTA: Me fale um pouco sobre a banda?
RESPOSTA: O Camarones surgiu no final de 2007 como um projeto de amigos que frequentavam o estúdio dosol e tinha a proposta de fazer música instrumental divertida, fazendo covers de trilhas legais e compondo músicas nessa onda. A formação era bem diferente, com três guitarras e sem foca no sintetizador. Logo após o carnaval de 2009, a demanda da banda só crescia e isso fez com que os integrantes optassem por priorizar suas outras bandas, restando apenas Ana. Depois de um tempo para reformulação, essa nova formação foi reunida, com Leo Martínez e Karina Monteiro nas guitarras, Ana Morena permaneceu no baixo, Foca entrou com teclados/synth e Xandi Rocha na bateria. Com essa formação gravamos o primeiro disco lançado em 2010. Já o segundo, Espionagem Industrial, sairá no próximo mês e já fizemos shows em todas as regiões do país e pela Argentina, passando pelos principais festivais.
PERGUNTA: Como foi a passagem pelo estúdio trama?
RESPOSTA: Em 2010, durante o nossa tour que durou cerca de três semanas e passou pelo Centro-Oeste e Sudeste, fomos convidados para fazer o ensaio ao vivo da Trama que é transmitido ao vivo pela internet. É uma grande oportunidade, pois o canal tem muita audiência, além de ser uma forma de aproximar e levar nosso som a um público que está ligado na música independente, mas que às vezes não nos conhece e acaba conhecendo. Naquela ocasião estávamos circulando com nosso primeiro disco e de certa forma foi um pontapé inicial pro que viria no disco novo, já que as pessoas que estavam assistindo nos ajudaram no processo de composição de uma música chamada ‘A Trama’ que sairá nesse disco novo, então foi muito bom poder interagir e mostrar um pouco do trabalho de composição. Em junho desse ano, fizemos uma tour a cerca de 11 dias somente pelo estado de São Paulo, nela tocamos todos os dias e fizemos várias atividades extras, entre elas, o convite para o Ao Vivo da Trama, que diferente do ensaio, tem cara de show mesmo e então apresentamos o que a gente vinha apresentando na tour, tocando quase todo o disco novo e algumas do primeiro, foi mais uma grande oportunidade de atingir um público que não nos conhecia, além de gerar um material audiovisual muito bacana pra banda, já que em cada passagem ganhamos 3 vídeos que estão disponíveis para todos assistirem no http://tv.trama.uol.com.br .
PERGUNTA: Vocês já tocaram em vários festivais. Qual foi o que mais marcou para a banda?
RESPOSTA: Em nosso giro, estamos tendo a oportunidade de circular pelos melhores e mais importantes festivais de música independente do país. Todos eles nos geram bons frutos, amizades e mais oportunidades de voltar nos lugares, além da interação com bandas e amigos que só os festivais proporcionam e isso é muito legal. Entre eles, passamos pela Feira da Música em Fortaleza, Feira Música Brasil em BH, Jambolada em Uberlândia, Bananada em Goiânia, Mundo em João Pessoa, Dosol em Natal, Abril Pro Rock em Recife, Virada Cultural de São Paulo, Rolla Pedra/Móveis convida e Porão do rock em Brasília e Varadouro em Rio Branco, entre outros. Todos eles foram muito importantes. Mas falando por mim, poder ter ido ao Festival Varadouro, foi incrível, sabemos o quanto é difícil levar uma banda para o outro lado do país, custa caro ir para o Norte e foi uma honra fazer parte da programação de um festival tão bem produzido e de qualidade.
PERGUNTA: O CD “Espionagem Industrial”  foi produzido por Chuck Hipolitho. Como foi essa experiência?
REPOSTA: Já conhecíamos o Chuck, principalmente o Foca que já mantinha contato com ele antes, e inclusive ele tocou com a gente em alguns shows no ano passado quando nosso baterista não pode ir. É um cara que é admirado por todos da banda e temos uma identificação muito forte com o trabalho dele. Pra melhorar, ele gosta da banda. Então, quando decidimos que faríamos o disco e começamos a pensar em como seria o processo, achamos que a melhor alternativa seria convidá-lo para passar uns dias conosco produzindo, compondo e gravando. Ele logo aceitou e trouxe alguns equipamentos, montamos tudo no estúdio, já tínhamos começado a trabalhar nas músicas e ele entrou com liberdade de fazer o trabalho e foi muito natural e intenso, ele passou cerca de 15 dias aqui durante o mês de janeiro e em quase todos os dias estávamos no estúdio trabalhando e nos divertindo também. Esse clima caseiro tornou o processo muito mais agradável pra todo mundo. Foi um grande laboratório, aprendemos muito e investimos na amizade também. Ficamos muito satisfeito com o resultado do trabalho.

PERGUNTA: Vocês gostaram de tocar no porão do rock?

RESPOSTA: Gostamos muito. Foi uma grande oportunidade de mostrar o que estamos fazendo para um público que foi dos maiores que já tocamos. Além de estar no meio de um line-up com vários nomes consagrados nacionais e internacionais. Sem dúvida foi um grande passo a frente na formação de público em Brasília. Não foi a primeira vez na cidade. No final do ano passado, tocamos no Rolla Pedra/Móveis convida, que também nos deu uma grande visibilidade. Os dois festivais foram muito importantes e tem um formato grande e com acesso gratuito, e isso é ótimo para que muitas pessoas possam conhecer nosso trabalho.
PERGUNTA: O que você pode comentar sobre a última  vinda a Brasília, quando vocês gravaram o clipe da música “Com a Água no Pescoço” com participação dos atores da companhia de teatro Melhores do Mundo?
RESPOSTA: Nós já  tínhamos a ideia de fazer o clipe e mais ou menos um projeto do roteiro, porém ainda não sabíamos como e quando faríamos. Então Anderson foi a Brasília durante o Móveis convida desse ano e conheceu o Hugo Pachiella da Lojinha de filmes, que simpatizou com o nosso som e acabou surgindo a ideia de fazermos o clipe em Brasília com eles, para isso precisaríamos chegar antes em Brasília. E assim foi: o Hugo mostrou nosso som para os atores Ricardo Pipo e Jovane Nunes e eles gostaram e acharam interessante fazer o clipe conosco. A direção ficou a cargo de Alex Ribondi e Zé Pedro Gollo. Gravamos tudo em um dia, de 5 da manhã até quase 8 da noite, foi um tanto cansativo, mas ao mesmo tempo muito divertido e muito organizado. Conseguimos cumprir bem o planejamento e deu tudo certo. A finalização também foi muito rápida, pois tínhamos o prazo para entregar e tentar concorrer ao VMB 2011. Então entregamos, vamos ver o que acontece.
PERGUNTA: E a cena do rock em Natal como anda? Muitas bandas novas  e boas?
RESPOSTA: Natal hoje na música independente é referência no nordeste. Temos um ótimo festival, um lugar aberto todo fim de semana para a música autoral independente (Centro Cultural Dosol). Temos boas bandas empreendendo, tocando, produzindo. Entre elas posso destacar Talma&Gadelha, Planant, Dusouto, Venice under water, Calistoga. Mas o que acontece é que muitas dessas bandas e das bandas novas boas que surgem, são reconfigurações de formações que já existiam. Ainda acho que falta uma renovação maior, novas bandas de pessoas novas fazendo as coisas acontecerem. Temos bons nomes, uma boa estrutura, estúdio pra gravar com qualidade, mas ainda está faltando uma atuação maior pra que fique ainda melhor.
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